sábado, 23 de fevereiro de 2019

como um sol no quintal

Talvez você, o primeiro deles, tenha me deixado tão frágil quanto o atual.
Meu coração insiste em dizer que esse é o mais forte amor que já senti.
Talvez você, o primeiro deles, tenha me transmitido uma sensação tão completamente incompleta quanto esse.
Talvez você, amor, o primeiro deles, tenha me deixado cair na imensidão de significados que essa palavra carrega consigo.
Talvez você, o primeiro dos meus amores, tenha me deixado sem chão, sem céu, sem roupa. Despida de todas minhas vergonhas, da minha moral, das seguranças e certezas.
Talvez você, o que primeiro me deixou sem voz, tenha me preparado para encontrar o de agora. Tenha me ensinado o quanto dói, o quanto vale, o quanto queima, o quanto machuca, o quanto sou.
Talvez você, eterno amor, seja o culpado por todas as juras da posteridade. Pela carta ridícula. Por despertar em mim esse sentimento ridículo.
Eu te culpo, amor, por me sentir impotente, por me sentir cheia e ao mesmo tempo vazia.
Te culpo, meu mais sincero amor, pela dureza do sentir e por assumir que sinto.
Mas te agradeço, estúpido amor, pela sensibilidade que tenho em mim, que faz de mim o que sou.