segunda-feira, 20 de julho de 2015

Amanheceu, mais um dia retrocedeu.

 Acordar. A visão permanece um pouco embaçada durante 30 segundos. Olhar pro teto, sentar na cama e olhar em volta. O quarto, que só tem uma cama e nada mais, bagunçado. Roupas espalhadas, uma garrafa de vinho quebrada. Rastros de que alguém havia dormido junto. A boca seca, dor de cabeça. Perceber os olhos fundos e vermelhos, lavar o rosto, uma cárie embriagada no espelho do banheiro. Procurar algo pra comer, geladeira vazia. Servir-se de mais um cigarro. O estrago faz tão bem. Sem lembrar o que aconteceu na noite anterior, tomar banho e sair com o fuska azul.
 Era isso que acontecia todos os dias com aquele rapaz, que teria um passado ruim, mas poderia ter um futuro brilhante... Rejeitava todos os dias a própria ideia de mudar. Mal sabia o que estava perdendo, por isso a cada noite ia a um bar diferente e deitava com prostitutas. Ele poderia não lembrar das noites, mas sabia o que acontecia dentro de si, e aquilo doía.

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